terça-feira, 19 de novembro de 2013

Palavras ao vento

Nem sempre fui boa de filosofias...Embora filosofar seja o meu esporte preferido. Não sei onde isso me leva, se é que me levará a algum lugar. Espero que sim, ao menos ao caminho da elevação espiritual. Já havia avisado, portanto que ninguém me critique pela rudeza de minhas palavras ou pela nudez dos meus sentimentos que aqui escrevo de pronto, sem estilística, sem correções, talvez nem muitas reflexões, nem sentido. Escrevo não para passar o tempo, mas para tentar segurá-lo um pouco mais em mim, para que a vida não escape tão fugaz pelas minhas mãos. 
Vivemos em tempos superficiais e considero-me uma pessoa de sorte ser cercada por pessoas que compartilham da minha profundidade, que buscam evoluir, refletir e crescer espiritualmente. Seja através das artes, das filosofias, do amor ao próximo e, principalmente, do autoconhecimento. Somente quando conseguimos olhar nos olhos do nosso próprio reflexo no espelho é que podemos ter algum crescimento interior. Não sei muito ao certo, na prática, o que esse tal crescimento interior tem de tão importante. Apenas sei que esse é o caminho no qual me sinto bem. Não sou uma pessoa "luxenta", como diria minha mãe, mas gosto de coisas boas. Acredito que isso seja diferente de superficializar as relações. O bem comer, o bem viver, ter acesso às coisas que desejamos (embora o recomendado seja viver uma vida sem desejos) são coisas que me fazem bem, desde que sejam o simples reflexo e consequência de algo. Não o objetivo. Não quero julgar, mas sim olhar com pensamento crítico, para pessoas que fazem do carro  do ano, da casa luxuosa, da ostentação, enfim, do que muitas vezes nem é, um objetivo de vida. São pessoas vazias. Parecem ocos perambulantes pelo universo de meu Deus. Fantasmas. Arremedos de seres humanos. Status, poder, prestígio social, o que vem mais pelo poder econômico do que pelo mérito. Demorou muito para eu entender na vida o quanto isso importa até para o reconhecimento profissional. Até mesmo os pacientes julgam nossa competência pela aparência. Gente! Eu juro que tento melhorar...mas me dá fadiga pensar em usar salto alto...tanta que dificilmente conseguirei abandonar os tênis...somente vez ou outra. Conforto e praticidade, tudo prá mim rs. A superficialidade dos nossos tempos faz com que as relações sejam frouxas e descartáveis. Se algo não me agrada no outro é mais fácil cortar a comunicação do que compactuar um crescimento conjunto do vínculo, pois ninguém é perfeito. Se eu não posso perdoar as falhas dos outros, não posso perdoar as minhas próprias e então estarei em eterno estado de solidão. Porque somente quando abro mão do meu ego, para que o Amor, sim com "A" maiúsculo entre em meu coração é que toda a solidão, o medo, o medo da morte, poderão abrir espaço para a Paz Profunda, estado de beatitude que os budistas chama de Nirvana. Enquanto a pessoa fica esperando que o externo complete o seu ser...nada de bom acontece, porque não consegue receber aquilo que lhe é dado. Está fechado. Fui assim por muito tempo, mas acho que agora, após algumas poucas décadas de vida, consegui mudar um pouco isso e abrir-me um pouco para a realidade do Universo. São ideias esparsas que coloco aqui, por livre associação, nada precisa fazer sentido e se você se deu ao trabalho de ler até aqui, tem a minha enorme gratidão pela sua paciência e companhia. Ser profunda como teimo em ser às vezes tem como preço a solidão. Não essa solidão sobre a qual escrevia há pouco, que é um estado de espírito no qual a pessoa se sente isolada dos demais, talvez por não ter encontrado ainda pares condizentes com seu nível evolutivo, talvez por não estar aberto a encontrá-los, por teimosia ou por ignorância de que pode e deve fazer isso. Falo agora de uma solidão do alto de uma montanha. Não que eu esteja no alto da montanha, estou longe de ser um ser iluminado, quem dera eu! Mas acho, pelas oportunidades que têm se descortinado diante de mim e que tenho recusado e pela coragem e ousadia de aceitar algumas outras que fazem com que eu erga minha cabeça acima da manada, que já subi um bocado. E conforme subimos, o ar vai ficando rarefeito, por isso precisamos economizar palavras, histerias e outros desperdícios de energia. Precisamos focar naquilo que é essencial. E de repente, nos damos conta de que toda aquela multidão de amigos festeiros pela qual ansiávamos era apenas pura ilusão. Que fiquem os bons e poucos, pois as suas palavras são melodias verdadeiras para a alma. Bálsamo que consola e cura qualquer ferida de dúvida ou de amargura que ainda possa persistir. Por muitos anos eu evitei esse Caminho, por medo de ser muito solitário, mas é nele que encontro verdadeira companhia. Sente-se que ela está presente a todo instante, transcende tempo e espaço e vem de dentro. De fato, às vezes é melhor estar só do que mal acompanhado. Quando a companhia vem de dentro, pode não haver ninguém ao redor. Mas se a solidão vem de dentro...a recusa pela felicidade, a auto-sabotagem, a criação de situações e circuntâncias infelizes será a tônica. Acho que eu era assim até bem pouco tempo atrás. Foi quando deixei o riso e a alegria entrarem na minha vida que isso começou a mudar. Temos que rir, em primeiro lugar, de nós mesmos! E perdoar. Perdoar é fundamental. Meu coraçãozinho é bem rancoroso, mas já melhorei bastante. Por isso, digo de novo: estou bem longe ainda do alto da montanha, talvez chegando ao meio da subida, mas ainda tem chão (quem convive comigo na tpm pode atestar bem isso rsrsrs). Mas embora esteja falando aqui da companhia que vem de dentro, adoro um aconchego...seres humanos são gregários...mas não há companhia na superficialidade. Os poucos que nos acompanham na subida são os raros, são aqueles que compartilham da essência. E essa companhia, que compartilha energia, que troca, compõe, constitui junto, constrói, na sociedade em que vivemos hoje, não tem preço. Não aguento aquelas pessoas que só me procuram quando fazem uma viagem que consideram legal ostentar...mas que não querem trocar experiências, querem apenas ostentar, se autoafirmar. Ou que tomam vinho segurando a taça com um pedantismo, que não estão desfrutando a verdadeira essência de se degustar um bom vinho...a companhia! a boa conversa, a celebração! Não estão dialogando com o coração mas com empáfia. Essas pessoas eu dispenso da minha vida atualmente. Adoro conhecer sobre vinhos, degustar, conhecer sua história, o terroir...mas pelo prazer ritualístico do vinho, não para dizer aos outros "olha como sou fina, chique, ryyykkkkaaaaa" rsrsrsrs Aiai...tem gente que chega ser engraçada na tragicomédia da sua existência. E os homens que se autoafirmam pelo carrão? Aiai...nada contra que tem um carro pelo prazer de ter a potência do motor, da velocidade etc. Adoro uma Ferrari....MAS que seja pelo prazer, pela alegria, pela vibração que isso pode trazer...e não pelo perverso prazer de mostrar para o vizinho...tsctsctsc acho isso tão feio e vazio... Já há pessoas que são como diamantes nas nossas vidas, cujas almas parecem fazer parte da nossa. O encontro da essência, do sentimento, do toque, de tudo, fazem com que sejam o bem mais precioso que exista (elocubrações to be continued)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Insensatez



Às vezes eu sou assim,
Meio sol Meio Lua
Meio companhia
Meio solidão

Às vezes eu sou o meio
Às vezes eu sou o fim
Às vezes o caminho

Às vezes sou sua
Às vezes sou minha
Às vezes sou nossa

Curiosa
Sem razão
Às vezes me faço fato
Às vezes emoção.

Canto, crio, aproprio-me da Luz
Apaziguo e instigo
Mitigo 
E produzo
Quero e não quero
Vibro e aquieto
Cubro e descubro
Sonho e acordo

Presença



Sinto a sua presença. 
Admiro a sua presença. 
Amo a sua presença.

Não sei se ela é algo que habita em mim
ou se ela é mesmo a sua presença.
Sei que mesmo quando não pensávamos um no outro, 
estávamos dentro um do outro.

De onde isso veio,
o que nos uniu e une desde o princípio,
impossível saber.

Porque depois de tanto tempo, 
de tantos universos perdidos, 
você é tão importante para mim?
Não há razões.

Sua ausência é factual 
E ainda assim, não desmente mais a sua presença.
Você existe em mim, sempre existiu e sempre existirá.

Mesmo que nunca mais nos vejamos, 
mesmo que nunca mais nos falemos, 
mesmo que nunca mais nos toquemos,
estamos juntos por toda a eternidade. 

O laço que nos une é indivisível.

Não há mais pressa. 
Para nós passado e presente, tempo e espaço não existem. 
Somos Um.
Você está em mim.

domingo, 17 de novembro de 2013

Chove lá fora...

A chuva hoje está especialmente melodiosa.
Chove forte, mas harmoniosamente.
O tipo de chuva que não parece ser fria,
mas acolhedora de sonhos.

Ao embalar meu sono insone
Faz-me aconchegada.
Canta ao encontrar as folhas.
Ou ao escorrer em largas gotas.

Sinto-me em paz.
E ao mesmo tempo cheia de vida.
Parece que ela limpa, purifica,
leva embora tudo que já passou,
aquilo que não serve mais.

Traz energias boas,
Cheias de Qi 
Vibrações celestiais.
Dizem que a chuva são as lágrimas dos anjos
que choram....
(ou fui eu que inventei isso agora? Nunca sei.)
Mas se forem lágrimas dos meus anjos
É porque eles choram de tanto rir!

A vida é isso
leveza e fluir
Com o canto da chuva roçando a janela
Inundando de desejos
O que ainda está por vir.

Sem título

Meu coração está cansado de ser inteiro razão.
Ser feliz é o seu dilema,
Enquanto um poema agita-o em estribilho

Razão que abandona
Quando ele somente diz querer ser
Razão que me cansou
E agora vou deixar correr

Porque agora sei tudo o que meu coração quer
Com toda a força de cada uma de minhas células
Razão cansada, esforçada...se esvai.

Abre força ao sentimento
Que não é loucura 
É a mais plena sensatez

Vida na minha vida
Esperança do sentir
Leveza e sintonia
Tudo o que ainda há por vir

sábado, 16 de novembro de 2013

Chove

Chove chuva,
Chove linda,
Qual lágrima dos anjos,
Alegria minha que nunca finda.

Leva prá lá
Leva de mim
Toda tristeza tenha fim
Lava minha alma
Enche-me de calma.

Traz luz aos meus olhos
Brilho ao meu existir
Vida na minha vida
Que ela venha
From the within

A Maternidade.




Uma roda de amigas. Mulheres maduras, alinhadas com o Universo conversam sobre os seus anseios e perspectivas. Há um tema em pauta: ser ou não ser mãe, eis a questão trazida pela minha linda amiga. 
O tempo é implacável sobre a biologia. Cronos devora-nos mulheres mais rápido que aos homens. Estes envelhecem como um bom vinho. Ou logo viram vinagre. 
Aparentemente sob o véu dessa injustiça, existe à luz do amadurecimento, a percepção de que a maternidade transcende: transcende os laços materiais e os anseios espirituais.
Como cada mulher vê essa questão dependerá da percepção que tem quanto ao seu próprio papel social e afetivo.
Há mulheres que fazem da maternidade a sua única razão de ser. Já ouvi uma vez  “se você não tiver um filho, nunca saberá o que é amor.” Quero que alguém ouse me dizer que não sei o que é amor, se, por um ano e meio, em minhas atribuições profissionais cheguei a produzir leite, durante meu trabalho de maternagem e estimulação neuropsicomotora de um bebê que não tinha os olhos, nem o nariz e era dono do sorriso sem dentes mais lindo do mundo...Não precisei pari-lo para ter por ele amor imenso a ponto de conseguir distinguir meu papel profissional e entregar-me inteira a ele, sem no entanto perder de vista qual era o cerne da nossa relação. Foram inúmeras as vezes que tive vontade de trazê-lo embora, de adotá-lo, de lhe dar um lar. O momento mais lindo e mágico dessa relação, no entanto, foi quando a sua família, que o havia abandonado no hospital, finalmente levou-o para casa. 
Uma das amigas contou da acusação que já ouviu algumas vezes “você é egoísta por não querer ter filhos. Não sabe dar amor.” E ela, em toda a sua virtude reflete: qual o tamanho do egoismo colocar filhos no mundo para satisfazer uma vaidade? Conversamos sobre o quanto algumas mulheres têm seus filhos mais para satisfazer uma expectativa social e biológica do que qualquer outra coisa.
A verdade é que existe algo de sagrado na mulher em poder criar a vida em seu ventre. Mas isso não quer dizer que não a possa criá-la em sua alma. A obra de uma mulher, ao que talvez a nossa cultura ainda não está exatamente acostumada, pode ocupar o lugar de um filho. O amor à arte, ao conhecimento, à vida, à ruptura com os paradigmas podem constituir uma prole de real importância. 
Parte de nós considerava naquela roda a maternidade como um assunto encerrado, parte não. 
O cheiro de um bebê, os olhos brilhantes de uma criança na noite de Natal ao desembrulhar os seus presentes, as indagações, poder formar um ser humano que contribua para uma humanidade melhor certamente são uma benção na vida de uma mulher. 
Mas para nós, mulheres que se dedicaram ao conhecimento, ao trabalho, a relações infrutíferas, ao amor ao próximo e não viram o tempo passar, há sempre um sem número de seres e causas a serem adotados para serem amados com um amor maternal sem precedentes, emanado diretamente do coração da Deusa.
Faça-se justiça também ao outro lado da moeda. Se de um lado nós que não somos mães biológicas de ninguém, por opção ou por força das circunstâncias (dignas de repulsa ou pena, respectivamente), do outro lado, a mulher que opta por abandonar sua carreira profissional para dedicar-se exclusivamente à maternidade também é julgada silenciosamente pela sociedade. Talvez um pouco menos, pois cumpre seu papel biológico/social, mas também é olhada com estranhamento pelas suas pares...como assim, depois do feminismo vai "abrir mão de tudo" e ser "só" mãe? É um assunto muito complexo, como tudo que envolve seres humanos e, em especial, mulheres. O importante, penso eu agora, ainda refletindo sobre o tema, é que possamos viver em um tempo no qual as posições não sejam estanques, em que haja leques e leques de possibilidades, para que se possa viver livremente, de acordo com os anseios de sua personalidade e de sua alma. Ainda que as circunstâncias muitas vezes sejam determinantes sobre essa questão, aquelas que podem fazer escolhas conscientes deveriam poder fazê-lo sem dilemas, sem serem julgadas. E nem vamos falar em aborto, então!