Sou essa
Em que a cabeça amarra
O afeto em colhe
A sombra cai
Aquela que se esvai em sangue
Na esperança do não ser
Sou essa tristeza
Que nao é pranto nem encanto
É solidão acompanhada
por aquele que nunca foi
nem nunca será
Sou solidão desidratada
D’onde a criatividade profícua nunca virá
Sou aquela que não conclui suas tarefas
não persegue os seus sonhos
não satisfaz seus desejos
Sou aquela cuja vida se perdeu no mar da existencia
Tanta resistência para não se afogar naquilo que a inunda
que preferiu viver à deriva, passando ao largo
de belas paisagens
Mas então veio o vento
E assoprou, soprou o sopro da Vida,
conduzindo-a às arrebentações de uma praia paradisíaca.
O mar puxa-a de volta para dentro,
A vida em movimento
Carrega-a para a praia da vida, das experiências, das sensações.
E ela rola. Inerte.