Há coisas que eu ja não posso mais deixar de enxergar
Sugam meu sangue
Tolhem minha vida
Ofuscam meus olhos
Gritam minha alma
Tem coisas que me roubam a vida
Me destroem me diminuem me enfraquecem me enegrecem
Eu deveria rasgar as minhas vestes
E gritar e sofrer por tudo que deveria ter sido mas não foi
Os meus sonhos, todas as minhas faltas, todas as minhas verdades, todos os meus amores
Mas não... não há caminho assim para mim
Eu deveria engolir o meu choro
Cuidar da minha vida
Mas não sei
Não sei qual será o fim
Quando o fim chegar
Eu terei sido capaz de amar
Terei sido capaz de me amar?
Eu deveria rasgar minhas vestes
Sem corromper a minha alma
terça-feira, 28 de abril de 2015
Fim
Têm assombrado-me muito os últimos.
Últimos olhares, últimos sonhos, últimos beijos.
Não despedidas... Últimos... Fins.
Talvez seja a velhice que se avizinhe, não sei.
Talvez seja a lucidez borrada de minhas lentes...
Sinto que os últimos batem à minha porta.
E não sei como recebê-los.
Seria apropriado oferecer-lhes chá com biscoitos?
Últimas tentativas, esperanças findas do cansaço que me assola.
Ou seria prudente espantá-los, gritar-lhes que ainda é cedo,
que há tempo, que voltem apenas mais tarde, quando o último suspiro
carregar em minha alma a alegria de meu coração.
Um desfile de inutilidades obrigatórias brada sob minha janela
Trazendo-me o rancor dos dias disperdiçados em mediocridades
cotidianas e maldizendo o fisco, as tentativas vãs de felicidade, tudo o que não se realizou
Seria apenas um “grito de alerta” essa dor que hoje me vai no coração,
Ou da vida um apelo para que ao fazer algo errado eu finalmente acertasse?
mas vejo a nuvem de poeira levantada pelos seus movimentos,
despontando no horizonte e meu coração se assombra, tentando adivinhar
como será o seu último batimento e o que não virá depois.
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