terça-feira, 28 de abril de 2015

Fim

Têm assombrado-me muito os últimos.
Últimos olhares, últimos sonhos, últimos beijos.
Não despedidas... Últimos... Fins.

Talvez seja a velhice que se avizinhe, não sei.
Talvez seja a lucidez borrada de minhas lentes...
Sinto que os últimos batem à minha porta.

E não sei como recebê-los.
Seria apropriado oferecer-lhes chá com biscoitos?
Últimas tentativas, esperanças findas do cansaço que me assola.
Ou seria prudente espantá-los, gritar-lhes que ainda é cedo,
que há tempo, que voltem apenas mais tarde, quando o último suspiro
carregar em minha alma a alegria de meu coração.

Um desfile de inutilidades obrigatórias brada sob minha janela
Trazendo-me o rancor dos dias disperdiçados em mediocridades
cotidianas e maldizendo o fisco, as tentativas vãs de felicidade, tudo o que não se realizou

Seria  apenas um “grito de alerta” essa dor que hoje me vai no coração,
Ou da vida um apelo para que ao fazer algo errado eu finalmente acertasse?

Sei apenas que não quero passar os meus últimos anos temendo os últimos,
mas vejo a nuvem de poeira levantada pelos seus movimentos, 
despontando no horizonte e meu coração se assombra, tentando adivinhar
como será o seu último batimento  e o que não virá depois.

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