Por mim eu ficaria horas e horas apenas sonhando com aquilo que virá ou não virá, mas que é doce e encheria os meus dias de sol.
Ontem à noite, fiquei pensando em Proust, recluso em seu quarto fumeguento, como me apresentou-o Rui Coelho. Nunca li nada de Proust, shame on me!, mas agora fiquei com vontade de conhecer a sua estilística...embora Rui Coelho já tenha advertido que é melhor não buscar respostas às dúvidas existenciais em sua obra, dado o seu negativismo e destempero. Pensei muito na experiência dele, de trancar-se no quarto, perscrutar o espírito...
Ao ir dormir, observei as sombras em várias nuances que se formavam no teto do meu quarto. Devido ao calor deixei a janela aberta e formaram-se as sombras que pareciam dançar ao mudar de perspectiva a todo instante, conforme o foco que meus olhos cansados lhes davam. Dei-me conta do quanto não temos mais tempo para observar, para contemplar. Nosso cotidiano é preenchido de informações absurdas, velocidades insensatas, "coisas importantes!" que preenchem todo o vazio de nossa existência, gerando apenas mais ansiedade. Preenchemos nossos dias como quem vive de ir ao fast food, ao invés de nos deleitarmos com as impressões e percepções que podem vir de nosso inconsciente e da sutileza das nossas percepções. Ok, às vezes parece que surgirão monstros tenebrosos do inconsciente, mas eles são apenas parte não integrada do Eu... Poderíamos apenas nos deleitar com as impressões vindas de simples sombras que existem apenas apartir do que a nossa mente enxerga como realidade e dar-lhes sentido criativo, transformá-las num estudo de perspectiva, numa pintura, num jogo de formas, de de nuances. Mas não, não há tempo para isso. Há tempo apenas para as contas a pagar e para gerar mais gastos através do consumismo que nos pega em sua rede das sugestões da propaganda e do marketing. Não que sejamos vítimas deles, uma vez que ninguém nos obriga a isso. Optamos por ser "fúteis, cotidianos e tributáveis", como já disse o querido FP , de boa vontade e docilmente, embora nem sempre fazendo uma escolha consciente e voluntária a esse respeito. Comprazemo-nos e achamos até um tanto chique viver na pressa, na correria, como se sermos muito ocupados agregasse-nos valor social. Principalmente em São Paulo acho que temos essa cultura. As pessoas se matam no trânsito, dia após dia, não em brigas ou destemperos apenas, mas na perda do seu bem valioso, o tempo, que se esvai levando junto a vida. Mas ninguém (nem eu! --agora mesmo só estou escrevendo porque tenho "autorização para o repouso", ordens médicas!) faz nada para mudar. Olhar com pensamento crítico já é algo, no entanto. Mas precisamos de ações. Não de ações marqueteiras e superficiais. Ações. Agir. Fazer. Lembro-me às vezes de um pôr do sol muito especial. Um pôr do sol da minha adolescência solitária. Ele em si foi especial. Nem companhia, nem lugar, nada mais além dele próprio fizeram-no especial. O céu estava com aquelas nuvens fofinhas e imensas (terríveis cumulus nimbus, na verdade) e aos poucos o céu todo tornou-se de um rosa dourado pacificador de todos os corações, uma ou outra nuvem com um contorno dourado luminoso. Fiquei tão encantada que me lembro disso até hoje! No dia seguinte, comentei com alguns colegas da escola, perguntei se tinham visto aquele pôr do sol tão bonito e uma criatura me disse: "Eu não tenho tempo para isso." Fiquei (para variar) tão desconcertada! Mas dessa vez, diferente de outras vezes, achei que ela era absurda e estava perdendo todo seu tempo. Mas a verdade é que é assim que a nossa cultura anda pensando a vida: quanto mais preenchida de afazeres, de ocupações que não têm um sentido essencial, de superficialidades, marcas e produtos (e uma boa dose de gordura trans!) melhor. O problema não são as coisas em si, mas como lidamos com elas e o que priorizamos. Talvez estejamos perdendo o essencial, diante do dilema dos boletos a pagar no fim do mês.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Divagações...
Hoje cedo acordei já pensando, pensando...Talvez muitas ideias tenham se perdido entre meus cabelos falsamente loiros e o travesseiro...Mesmo assim sinto esta urgência de escrever, de refletir, como que para comprovar com as ideias digitadas que eu penso e por isso existo. Descartes não havia me passado pela cabeça até agora...mas estou impactada pelo sono sem sonhos da sedação para a cirurgia. Um sono maravilhoso, diga-se de passagem, mas que me fez refletir sobre a inconsciência e a inconsistência da ideia da permanência da alma após a morte...porque a minha sensação até então de permanência estava muito ligada a ideia de que talvez o mundo anímico se perpetuasse através de uma existência parecida com a do sonho, onde toda a individualidade não estaria preservada, mas uma noção de parte dela sim. E na inconsciência que vivi, somada à confusão da volta (não que eu tenha tido um estado confusional, graças a Deus - eis aqui a minha confissão de que eu realmente acredito! - a minha volta à consciência foi bem tranquila) pude perceber que se tivesse morrido ali, sedada, provavelmente nem perceberia. A questão da consciência, oriunda das percepções que vêm de nossos sentidos novamente me intriga. Eu estava mais entregue aos fatos, de que aparentemente existe um Além sim, não necessariamente como descrito pelas religiões, mas algo que se perpetua, mas agora não que esteja exatamente em dúvida, pois creio na eternidade da alma, mas estou bem em dúvida sobre o como ela se dá. Somos energia, para mim isso não há dúvida. E há algo mais que anima a biologia de nosso corpo: fato. Quando vi meu pai em seu caixão não tive dúvidas que nosso corpo é realmente apenas um invólucro, ele não estava mais lá. A essência que animava aquele corpo não estava mais ali. Ali. Ali é uma definição de lugar. Onde ele estava, então? Onde ele está agora? (Além de aqui bem perto de mim...). Lugar tem a ver com espaço. Espaço é uma criação da percepção humana que se desenvolve para compreender o mundo. Criação. Palavra-chave para a humanidade. Tempo, outra criação para nos conformarmos à realidade material em que aportamos. Mas então. A bendita consciência! Quando Descartes saiu com essa do "Cogito Ergo Sum" acho que era mais ou menos isso que queria dizer...claro que a dimensão do sentir é importante. Mas o pensar (englobando não só o raciocínio, mas todas as funções cognitivas) e a autoconsciência parecem ser elementos chave da nossa noção de EU. Enquanto eu estava sedada, meu corpo ficou ali, inerte, à mercê dos bons cuidados da equipe médica. Não tenho dúvidas que o tempo todo houve um "algo mais" de proteção, mas a questão agora não é essa. Mas é como se dá a noção de consciência e de individualidade. Quando voltei da sedação, a primeira coisa que senti foi confiança ao ver meu marido segurando minha mão. Mas na verdade, acho que teria sentido confiança de qualquer forma, ele foi um plus, porque meu estado geral estava alterado, eu estava...."legal" rsrsrs. Tanto que, quando o médico ali me informou que, por eu estar vomitando muito, precisaria dosar meu potássio e caso estivesse alterado precisaria ir para a semi-intensiva, o meu parco pensamento foi..."legal...vou conhecer a semi-intensiva e ter histórias para contar". Não senti medo, não dimensionei nenhuma gravidade na situação, estava confiante de que eu estava bem. Senti-me lúcida o tempo todo lá, mas ontem conversando com o Zé descobri que eu não lembrava da missa a metade, apenas flashes. Isso é muito interessante, não é a coisa mais confortável do mundo a sensação de perda de controle, por isso acho que já acordei tão reflexiva sobre isso. O que acontece ao Eu após a morte? Existe alguma dimensão de consciência? Como essa consciência funcionaria se a noção de Eu e de consciência estão tão intimamente ligadas às funções cerebrais. Essas são perguntas talvez eternamente sem respostas...mas acho interessante refletir, porque a forma como encaramos o além-mundo define como vivemos a vida! Parei para pensar: por que estudo tanto? Por que conhecer o cérebro humano que me fascina tanto? Por que seguir tantas regras e dimensionar meu existir num campo ético tão estrito? Para mim faz muito sentido acumular conhecimento: será aproveitado na evolução de minha alma! Será? E se o tempo que eu estou gastando fazendo tudo certo, for o tempo no qual eu deveria estar correndo pelos campos, tomando banho de mar e de cachoeira, livrando-me de todos os conflitos e buscando apenas ser feliz? Buscando?! Buscando nada! Apenas sendo! Aí que eu parei para entender o quanto pautamos (ao menos eu pauto) minha existência na existência de um amanhã, de um futuro...que não existe! Existirá...ou não...e aí passa a fazer todo o sentido do que o budismo diz (conheço muito pouco) sobre viver no presente. Que é o único tempo que a nossa consciência conhece. O passado é memória. E o futuro ainda virá, seja como for...ou não. Percebi que vivemos (primeira pessoa do plural, porque acho que não sou a única) em função de "construir o amanhã", em estado de eterno adiamento, inclusive da felicidade e não vivemos o presente, chave para essa construção. A vida deve ser leve, para que não seja um fardo de sofrimento e provações em busca de atingir algo maior e nem tampouco as provações, os ciclos contrários ao que reconhecemos como o bom, deveriam ser tão valorizadas como o caminho para atingirmos esse algo maior. Podemos criar assim a realidade que quisermos e desejarmos, ao que parece. A consciência é algo muito poderoso e ela sim, algo que nos define, só não sabemos como usá-la corretamente. Ficamos esperando por um uso que talvez nunca venha. Eu acredito, já disse, na eternidade da alma, acredito em almas que se encantam e reconhecem-se imemorialmente, acredito e sinto tantas coisas! Mas nem por isso deixo de refletir e usar meu livre pensamento para existir. E a melhor parte da história, a qual como mulher só tenho a comemorar, é que não existem mais fogueiras para nos queimar! De qualquer forma, a humanidade vem evoluindo...e aí meu outro pensamento da manhã: o quanto existe de fato a individualidade ou de fato o conhecimento que acumulamos ao longo da vida preserva-se não na individualidade, no Eu, mas no coletivo, numa Alma Humana, que se perpetua pela biologia e pela História, pela memória cultural...
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Palavras ao vento
Nem sempre fui boa de filosofias...Embora filosofar seja o meu esporte preferido. Não sei onde isso me leva, se é que me levará a algum lugar. Espero que sim, ao menos ao caminho da elevação espiritual. Já havia avisado, portanto que ninguém me critique pela rudeza de minhas palavras ou pela nudez dos meus sentimentos que aqui escrevo de pronto, sem estilística, sem correções, talvez nem muitas reflexões, nem sentido. Escrevo não para passar o tempo, mas para tentar segurá-lo um pouco mais em mim, para que a vida não escape tão fugaz pelas minhas mãos.
Vivemos em tempos superficiais e considero-me uma pessoa de sorte ser cercada por pessoas que compartilham da minha profundidade, que buscam evoluir, refletir e crescer espiritualmente. Seja através das artes, das filosofias, do amor ao próximo e, principalmente, do autoconhecimento. Somente quando conseguimos olhar nos olhos do nosso próprio reflexo no espelho é que podemos ter algum crescimento interior. Não sei muito ao certo, na prática, o que esse tal crescimento interior tem de tão importante. Apenas sei que esse é o caminho no qual me sinto bem. Não sou uma pessoa "luxenta", como diria minha mãe, mas gosto de coisas boas. Acredito que isso seja diferente de superficializar as relações. O bem comer, o bem viver, ter acesso às coisas que desejamos (embora o recomendado seja viver uma vida sem desejos) são coisas que me fazem bem, desde que sejam o simples reflexo e consequência de algo. Não o objetivo. Não quero julgar, mas sim olhar com pensamento crítico, para pessoas que fazem do carro do ano, da casa luxuosa, da ostentação, enfim, do que muitas vezes nem é, um objetivo de vida. São pessoas vazias. Parecem ocos perambulantes pelo universo de meu Deus. Fantasmas. Arremedos de seres humanos. Status, poder, prestígio social, o que vem mais pelo poder econômico do que pelo mérito. Demorou muito para eu entender na vida o quanto isso importa até para o reconhecimento profissional. Até mesmo os pacientes julgam nossa competência pela aparência. Gente! Eu juro que tento melhorar...mas me dá fadiga pensar em usar salto alto...tanta que dificilmente conseguirei abandonar os tênis...somente vez ou outra. Conforto e praticidade, tudo prá mim rs. A superficialidade dos nossos tempos faz com que as relações sejam frouxas e descartáveis. Se algo não me agrada no outro é mais fácil cortar a comunicação do que compactuar um crescimento conjunto do vínculo, pois ninguém é perfeito. Se eu não posso perdoar as falhas dos outros, não posso perdoar as minhas próprias e então estarei em eterno estado de solidão. Porque somente quando abro mão do meu ego, para que o Amor, sim com "A" maiúsculo entre em meu coração é que toda a solidão, o medo, o medo da morte, poderão abrir espaço para a Paz Profunda, estado de beatitude que os budistas chama de Nirvana. Enquanto a pessoa fica esperando que o externo complete o seu ser...nada de bom acontece, porque não consegue receber aquilo que lhe é dado. Está fechado. Fui assim por muito tempo, mas acho que agora, após algumas poucas décadas de vida, consegui mudar um pouco isso e abrir-me um pouco para a realidade do Universo. São ideias esparsas que coloco aqui, por livre associação, nada precisa fazer sentido e se você se deu ao trabalho de ler até aqui, tem a minha enorme gratidão pela sua paciência e companhia. Ser profunda como teimo em ser às vezes tem como preço a solidão. Não essa solidão sobre a qual escrevia há pouco, que é um estado de espírito no qual a pessoa se sente isolada dos demais, talvez por não ter encontrado ainda pares condizentes com seu nível evolutivo, talvez por não estar aberto a encontrá-los, por teimosia ou por ignorância de que pode e deve fazer isso. Falo agora de uma solidão do alto de uma montanha. Não que eu esteja no alto da montanha, estou longe de ser um ser iluminado, quem dera eu! Mas acho, pelas oportunidades que têm se descortinado diante de mim e que tenho recusado e pela coragem e ousadia de aceitar algumas outras que fazem com que eu erga minha cabeça acima da manada, que já subi um bocado. E conforme subimos, o ar vai ficando rarefeito, por isso precisamos economizar palavras, histerias e outros desperdícios de energia. Precisamos focar naquilo que é essencial. E de repente, nos damos conta de que toda aquela multidão de amigos festeiros pela qual ansiávamos era apenas pura ilusão. Que fiquem os bons e poucos, pois as suas palavras são melodias verdadeiras para a alma. Bálsamo que consola e cura qualquer ferida de dúvida ou de amargura que ainda possa persistir. Por muitos anos eu evitei esse Caminho, por medo de ser muito solitário, mas é nele que encontro verdadeira companhia. Sente-se que ela está presente a todo instante, transcende tempo e espaço e vem de dentro. De fato, às vezes é melhor estar só do que mal acompanhado. Quando a companhia vem de dentro, pode não haver ninguém ao redor. Mas se a solidão vem de dentro...a recusa pela felicidade, a auto-sabotagem, a criação de situações e circuntâncias infelizes será a tônica. Acho que eu era assim até bem pouco tempo atrás. Foi quando deixei o riso e a alegria entrarem na minha vida que isso começou a mudar. Temos que rir, em primeiro lugar, de nós mesmos! E perdoar. Perdoar é fundamental. Meu coraçãozinho é bem rancoroso, mas já melhorei bastante. Por isso, digo de novo: estou bem longe ainda do alto da montanha, talvez chegando ao meio da subida, mas ainda tem chão (quem convive comigo na tpm pode atestar bem isso rsrsrs). Mas embora esteja falando aqui da companhia que vem de dentro, adoro um aconchego...seres humanos são gregários...mas não há companhia na superficialidade. Os poucos que nos acompanham na subida são os raros, são aqueles que compartilham da essência. E essa companhia, que compartilha energia, que troca, compõe, constitui junto, constrói, na sociedade em que vivemos hoje, não tem preço. Não aguento aquelas pessoas que só me procuram quando fazem uma viagem que consideram legal ostentar...mas que não querem trocar experiências, querem apenas ostentar, se autoafirmar. Ou que tomam vinho segurando a taça com um pedantismo, que não estão desfrutando a verdadeira essência de se degustar um bom vinho...a companhia! a boa conversa, a celebração! Não estão dialogando com o coração mas com empáfia. Essas pessoas eu dispenso da minha vida atualmente. Adoro conhecer sobre vinhos, degustar, conhecer sua história, o terroir...mas pelo prazer ritualístico do vinho, não para dizer aos outros "olha como sou fina, chique, ryyykkkkaaaaa" rsrsrsrs Aiai...tem gente que chega ser engraçada na tragicomédia da sua existência. E os homens que se autoafirmam pelo carrão? Aiai...nada contra que tem um carro pelo prazer de ter a potência do motor, da velocidade etc. Adoro uma Ferrari....MAS que seja pelo prazer, pela alegria, pela vibração que isso pode trazer...e não pelo perverso prazer de mostrar para o vizinho...tsctsctsc acho isso tão feio e vazio... Já há pessoas que são como diamantes nas nossas vidas, cujas almas parecem fazer parte da nossa. O encontro da essência, do sentimento, do toque, de tudo, fazem com que sejam o bem mais precioso que exista (elocubrações to be continued)
Vivemos em tempos superficiais e considero-me uma pessoa de sorte ser cercada por pessoas que compartilham da minha profundidade, que buscam evoluir, refletir e crescer espiritualmente. Seja através das artes, das filosofias, do amor ao próximo e, principalmente, do autoconhecimento. Somente quando conseguimos olhar nos olhos do nosso próprio reflexo no espelho é que podemos ter algum crescimento interior. Não sei muito ao certo, na prática, o que esse tal crescimento interior tem de tão importante. Apenas sei que esse é o caminho no qual me sinto bem. Não sou uma pessoa "luxenta", como diria minha mãe, mas gosto de coisas boas. Acredito que isso seja diferente de superficializar as relações. O bem comer, o bem viver, ter acesso às coisas que desejamos (embora o recomendado seja viver uma vida sem desejos) são coisas que me fazem bem, desde que sejam o simples reflexo e consequência de algo. Não o objetivo. Não quero julgar, mas sim olhar com pensamento crítico, para pessoas que fazem do carro do ano, da casa luxuosa, da ostentação, enfim, do que muitas vezes nem é, um objetivo de vida. São pessoas vazias. Parecem ocos perambulantes pelo universo de meu Deus. Fantasmas. Arremedos de seres humanos. Status, poder, prestígio social, o que vem mais pelo poder econômico do que pelo mérito. Demorou muito para eu entender na vida o quanto isso importa até para o reconhecimento profissional. Até mesmo os pacientes julgam nossa competência pela aparência. Gente! Eu juro que tento melhorar...mas me dá fadiga pensar em usar salto alto...tanta que dificilmente conseguirei abandonar os tênis...somente vez ou outra. Conforto e praticidade, tudo prá mim rs. A superficialidade dos nossos tempos faz com que as relações sejam frouxas e descartáveis. Se algo não me agrada no outro é mais fácil cortar a comunicação do que compactuar um crescimento conjunto do vínculo, pois ninguém é perfeito. Se eu não posso perdoar as falhas dos outros, não posso perdoar as minhas próprias e então estarei em eterno estado de solidão. Porque somente quando abro mão do meu ego, para que o Amor, sim com "A" maiúsculo entre em meu coração é que toda a solidão, o medo, o medo da morte, poderão abrir espaço para a Paz Profunda, estado de beatitude que os budistas chama de Nirvana. Enquanto a pessoa fica esperando que o externo complete o seu ser...nada de bom acontece, porque não consegue receber aquilo que lhe é dado. Está fechado. Fui assim por muito tempo, mas acho que agora, após algumas poucas décadas de vida, consegui mudar um pouco isso e abrir-me um pouco para a realidade do Universo. São ideias esparsas que coloco aqui, por livre associação, nada precisa fazer sentido e se você se deu ao trabalho de ler até aqui, tem a minha enorme gratidão pela sua paciência e companhia. Ser profunda como teimo em ser às vezes tem como preço a solidão. Não essa solidão sobre a qual escrevia há pouco, que é um estado de espírito no qual a pessoa se sente isolada dos demais, talvez por não ter encontrado ainda pares condizentes com seu nível evolutivo, talvez por não estar aberto a encontrá-los, por teimosia ou por ignorância de que pode e deve fazer isso. Falo agora de uma solidão do alto de uma montanha. Não que eu esteja no alto da montanha, estou longe de ser um ser iluminado, quem dera eu! Mas acho, pelas oportunidades que têm se descortinado diante de mim e que tenho recusado e pela coragem e ousadia de aceitar algumas outras que fazem com que eu erga minha cabeça acima da manada, que já subi um bocado. E conforme subimos, o ar vai ficando rarefeito, por isso precisamos economizar palavras, histerias e outros desperdícios de energia. Precisamos focar naquilo que é essencial. E de repente, nos damos conta de que toda aquela multidão de amigos festeiros pela qual ansiávamos era apenas pura ilusão. Que fiquem os bons e poucos, pois as suas palavras são melodias verdadeiras para a alma. Bálsamo que consola e cura qualquer ferida de dúvida ou de amargura que ainda possa persistir. Por muitos anos eu evitei esse Caminho, por medo de ser muito solitário, mas é nele que encontro verdadeira companhia. Sente-se que ela está presente a todo instante, transcende tempo e espaço e vem de dentro. De fato, às vezes é melhor estar só do que mal acompanhado. Quando a companhia vem de dentro, pode não haver ninguém ao redor. Mas se a solidão vem de dentro...a recusa pela felicidade, a auto-sabotagem, a criação de situações e circuntâncias infelizes será a tônica. Acho que eu era assim até bem pouco tempo atrás. Foi quando deixei o riso e a alegria entrarem na minha vida que isso começou a mudar. Temos que rir, em primeiro lugar, de nós mesmos! E perdoar. Perdoar é fundamental. Meu coraçãozinho é bem rancoroso, mas já melhorei bastante. Por isso, digo de novo: estou bem longe ainda do alto da montanha, talvez chegando ao meio da subida, mas ainda tem chão (quem convive comigo na tpm pode atestar bem isso rsrsrs). Mas embora esteja falando aqui da companhia que vem de dentro, adoro um aconchego...seres humanos são gregários...mas não há companhia na superficialidade. Os poucos que nos acompanham na subida são os raros, são aqueles que compartilham da essência. E essa companhia, que compartilha energia, que troca, compõe, constitui junto, constrói, na sociedade em que vivemos hoje, não tem preço. Não aguento aquelas pessoas que só me procuram quando fazem uma viagem que consideram legal ostentar...mas que não querem trocar experiências, querem apenas ostentar, se autoafirmar. Ou que tomam vinho segurando a taça com um pedantismo, que não estão desfrutando a verdadeira essência de se degustar um bom vinho...a companhia! a boa conversa, a celebração! Não estão dialogando com o coração mas com empáfia. Essas pessoas eu dispenso da minha vida atualmente. Adoro conhecer sobre vinhos, degustar, conhecer sua história, o terroir...mas pelo prazer ritualístico do vinho, não para dizer aos outros "olha como sou fina, chique, ryyykkkkaaaaa" rsrsrsrs Aiai...tem gente que chega ser engraçada na tragicomédia da sua existência. E os homens que se autoafirmam pelo carrão? Aiai...nada contra que tem um carro pelo prazer de ter a potência do motor, da velocidade etc. Adoro uma Ferrari....MAS que seja pelo prazer, pela alegria, pela vibração que isso pode trazer...e não pelo perverso prazer de mostrar para o vizinho...tsctsctsc acho isso tão feio e vazio... Já há pessoas que são como diamantes nas nossas vidas, cujas almas parecem fazer parte da nossa. O encontro da essência, do sentimento, do toque, de tudo, fazem com que sejam o bem mais precioso que exista (elocubrações to be continued)
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Insensatez
Às vezes eu sou assim,
Meio sol Meio Lua
Meio companhia
Meio solidão
Às vezes eu sou o meio
Às vezes eu sou o fim
Às vezes o caminho
Às vezes sou sua
Às vezes sou minha
Às vezes sou nossa
Curiosa
Sem razão
Às vezes me faço fato
Às vezes emoção.
Canto, crio, aproprio-me da Luz
Apaziguo e instigo
Mitigo
E produzo
Quero e não quero
Vibro e aquieto
Cubro e descubro
Sonho e acordo
Presença
Sinto a sua presença.
Admiro a sua presença.
Amo a sua presença.
Não sei se ela é algo que habita em mim
ou se ela é mesmo a sua presença.
Sei que mesmo quando não pensávamos um no outro,
estávamos dentro um do outro.
De onde isso veio,
o que nos uniu e une desde o princípio,
impossível saber.
Porque depois de tanto tempo,
de tantos universos perdidos,
você é tão importante para mim?
Não há razões.
Sua ausência é factual
E ainda assim, não desmente mais a sua presença.
Você existe em mim, sempre existiu e sempre existirá.
Mesmo que nunca mais nos vejamos,
mesmo que nunca mais nos falemos,
mesmo que nunca mais nos toquemos,
estamos juntos por toda a eternidade.
O laço que nos une é indivisível.
Não há mais pressa.
Para nós passado e presente, tempo e espaço não existem.
Somos Um.
Você está em mim.
domingo, 17 de novembro de 2013
Chove lá fora...
A chuva hoje está especialmente melodiosa.
Chove forte, mas harmoniosamente.
O tipo de chuva que não parece ser fria,
mas acolhedora de sonhos.
Ao embalar meu sono insone
Faz-me aconchegada.
Canta ao encontrar as folhas.
Ou ao escorrer em largas gotas.
Sinto-me em paz.
E ao mesmo tempo cheia de vida.
Parece que ela limpa, purifica,
leva embora tudo que já passou,
aquilo que não serve mais.
Traz energias boas,
Cheias de Qi
Vibrações celestiais.
Dizem que a chuva são as lágrimas dos anjos
que choram....
(ou fui eu que inventei isso agora? Nunca sei.)
Mas se forem lágrimas dos meus anjos
É porque eles choram de tanto rir!
A vida é isso
leveza e fluir
Com o canto da chuva roçando a janela
Inundando de desejos
O que ainda está por vir.
Chove forte, mas harmoniosamente.
O tipo de chuva que não parece ser fria,
mas acolhedora de sonhos.
Ao embalar meu sono insone
Faz-me aconchegada.
Canta ao encontrar as folhas.
Ou ao escorrer em largas gotas.
Sinto-me em paz.
E ao mesmo tempo cheia de vida.
Parece que ela limpa, purifica,
leva embora tudo que já passou,
aquilo que não serve mais.
Traz energias boas,
Cheias de Qi
Vibrações celestiais.
Dizem que a chuva são as lágrimas dos anjos
que choram....
(ou fui eu que inventei isso agora? Nunca sei.)
Mas se forem lágrimas dos meus anjos
É porque eles choram de tanto rir!
A vida é isso
leveza e fluir
Com o canto da chuva roçando a janela
Inundando de desejos
O que ainda está por vir.
Sem título
Meu coração está cansado de ser inteiro razão.
Ser feliz é o seu dilema,
Enquanto um poema agita-o em estribilho
Razão que abandona
Quando ele somente diz querer ser
Razão que me cansou
E agora vou deixar correr
Porque agora sei tudo o que meu coração quer
Com toda a força de cada uma de minhas células
Razão cansada, esforçada...se esvai.
Abre força ao sentimento
Que não é loucura
É a mais plena sensatez
Vida na minha vida
Esperança do sentir
Leveza e sintonia
Tudo o que ainda há por vir
Ser feliz é o seu dilema,
Enquanto um poema agita-o em estribilho
Razão que abandona
Quando ele somente diz querer ser
Razão que me cansou
E agora vou deixar correr
Porque agora sei tudo o que meu coração quer
Com toda a força de cada uma de minhas células
Razão cansada, esforçada...se esvai.
Abre força ao sentimento
Que não é loucura
É a mais plena sensatez
Vida na minha vida
Esperança do sentir
Leveza e sintonia
Tudo o que ainda há por vir
sábado, 16 de novembro de 2013
Chove
Chove chuva,
Chove linda,
Qual lágrima dos anjos,
Alegria minha que nunca finda.
Leva prá lá
Leva de mim
Toda tristeza tenha fim
Lava minha alma
Enche-me de calma.
Traz luz aos meus olhos
Brilho ao meu existir
Vida na minha vida
Que ela venha
From the within
Chove linda,
Qual lágrima dos anjos,
Alegria minha que nunca finda.
Leva prá lá
Leva de mim
Toda tristeza tenha fim
Lava minha alma
Enche-me de calma.
Traz luz aos meus olhos
Brilho ao meu existir
Vida na minha vida
Que ela venha
From the within
A Maternidade.
Uma roda de amigas. Mulheres maduras, alinhadas com o Universo conversam sobre os seus anseios e perspectivas. Há um tema em pauta: ser ou não ser mãe, eis a questão trazida pela minha linda amiga.
O tempo é implacável sobre a biologia. Cronos devora-nos mulheres mais rápido que aos homens. Estes envelhecem como um bom vinho. Ou logo viram vinagre.
Aparentemente sob o véu dessa injustiça, existe à luz do amadurecimento, a percepção de que a maternidade transcende: transcende os laços materiais e os anseios espirituais.
Como cada mulher vê essa questão dependerá da percepção que tem quanto ao seu próprio papel social e afetivo.
Há mulheres que fazem da maternidade a sua única razão de ser. Já ouvi uma vez “se você não tiver um filho, nunca saberá o que é amor.” Quero que alguém ouse me dizer que não sei o que é amor, se, por um ano e meio, em minhas atribuições profissionais cheguei a produzir leite, durante meu trabalho de maternagem e estimulação neuropsicomotora de um bebê que não tinha os olhos, nem o nariz e era dono do sorriso sem dentes mais lindo do mundo...Não precisei pari-lo para ter por ele amor imenso a ponto de conseguir distinguir meu papel profissional e entregar-me inteira a ele, sem no entanto perder de vista qual era o cerne da nossa relação. Foram inúmeras as vezes que tive vontade de trazê-lo embora, de adotá-lo, de lhe dar um lar. O momento mais lindo e mágico dessa relação, no entanto, foi quando a sua família, que o havia abandonado no hospital, finalmente levou-o para casa.
Uma das amigas contou da acusação que já ouviu algumas vezes “você é egoísta por não querer ter filhos. Não sabe dar amor.” E ela, em toda a sua virtude reflete: qual o tamanho do egoismo colocar filhos no mundo para satisfazer uma vaidade? Conversamos sobre o quanto algumas mulheres têm seus filhos mais para satisfazer uma expectativa social e biológica do que qualquer outra coisa.
A verdade é que existe algo de sagrado na mulher em poder criar a vida em seu ventre. Mas isso não quer dizer que não a possa criá-la em sua alma. A obra de uma mulher, ao que talvez a nossa cultura ainda não está exatamente acostumada, pode ocupar o lugar de um filho. O amor à arte, ao conhecimento, à vida, à ruptura com os paradigmas podem constituir uma prole de real importância.
Parte de nós considerava naquela roda a maternidade como um assunto encerrado, parte não.
O cheiro de um bebê, os olhos brilhantes de uma criança na noite de Natal ao desembrulhar os seus presentes, as indagações, poder formar um ser humano que contribua para uma humanidade melhor certamente são uma benção na vida de uma mulher.
Mas para nós, mulheres que se dedicaram ao conhecimento, ao trabalho, a relações infrutíferas, ao amor ao próximo e não viram o tempo passar, há sempre um sem número de seres e causas a serem adotados para serem amados com um amor maternal sem precedentes, emanado diretamente do coração da Deusa.
Faça-se justiça também ao outro lado da moeda. Se de um lado nós que não somos mães biológicas de ninguém, por opção ou por força das circunstâncias (dignas de repulsa ou pena, respectivamente), do outro lado, a mulher que opta por abandonar sua carreira profissional para dedicar-se exclusivamente à maternidade também é julgada silenciosamente pela sociedade. Talvez um pouco menos, pois cumpre seu papel biológico/social, mas também é olhada com estranhamento pelas suas pares...como assim, depois do feminismo vai "abrir mão de tudo" e ser "só" mãe? É um assunto muito complexo, como tudo que envolve seres humanos e, em especial, mulheres. O importante, penso eu agora, ainda refletindo sobre o tema, é que possamos viver em um tempo no qual as posições não sejam estanques, em que haja leques e leques de possibilidades, para que se possa viver livremente, de acordo com os anseios de sua personalidade e de sua alma. Ainda que as circunstâncias muitas vezes sejam determinantes sobre essa questão, aquelas que podem fazer escolhas conscientes deveriam poder fazê-lo sem dilemas, sem serem julgadas. E nem vamos falar em aborto, então!
Faça-se justiça também ao outro lado da moeda. Se de um lado nós que não somos mães biológicas de ninguém, por opção ou por força das circunstâncias (dignas de repulsa ou pena, respectivamente), do outro lado, a mulher que opta por abandonar sua carreira profissional para dedicar-se exclusivamente à maternidade também é julgada silenciosamente pela sociedade. Talvez um pouco menos, pois cumpre seu papel biológico/social, mas também é olhada com estranhamento pelas suas pares...como assim, depois do feminismo vai "abrir mão de tudo" e ser "só" mãe? É um assunto muito complexo, como tudo que envolve seres humanos e, em especial, mulheres. O importante, penso eu agora, ainda refletindo sobre o tema, é que possamos viver em um tempo no qual as posições não sejam estanques, em que haja leques e leques de possibilidades, para que se possa viver livremente, de acordo com os anseios de sua personalidade e de sua alma. Ainda que as circunstâncias muitas vezes sejam determinantes sobre essa questão, aquelas que podem fazer escolhas conscientes deveriam poder fazê-lo sem dilemas, sem serem julgadas. E nem vamos falar em aborto, então!
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Tao
Curiosidade é o que sinto em relação ao meu destino.
A grande Graça disso tudo é voltar a ter um destino!
Antes o destino estava fechado.
Havia apenas um ainda longo percurso
em direção ao ocaso da vida.
E agora há apenas vida e o destino
abriu-se novamente para mim.
Tudo pode ser e não-ser
e podem assim ser ao mesmo tempo.
Mesmo na Morte agora há Vida
e o sentido da finitude não mais existe
Só o eterno e o infinito.
A grande Graça disso tudo é voltar a ter um destino!
Antes o destino estava fechado.
Havia apenas um ainda longo percurso
em direção ao ocaso da vida.
E agora há apenas vida e o destino
abriu-se novamente para mim.
Tudo pode ser e não-ser
e podem assim ser ao mesmo tempo.
Mesmo na Morte agora há Vida
e o sentido da finitude não mais existe
Só o eterno e o infinito.
Despedida
Espero inquieta
Incerta
O dia em que não mais me lembrarei de ti.
em que em minhas canções
haverá apenas a Glória de Deus
Em que Amor será
a memória incondicional
da tua alma amada.
Aguardo intranquila
O dia em que meu corpo
não vibrará mais a expectativa,
a ansiedade e a espera
a ilusão o sentimento
a vida a vontade a saudade.
(enquanto isso sou controle,
sou espera, finjo ser razão. Seguro em
meus olhos essas lágrimas que querem jorrar,
dizendo a mim mesma que não vale me desconsolar
por aquilo que não é nunca será nunca foi ou já passou)
Incerta
O dia em que não mais me lembrarei de ti.
em que em minhas canções
haverá apenas a Glória de Deus
Em que Amor será
a memória incondicional
da tua alma amada.
Aguardo intranquila
O dia em que meu corpo
não vibrará mais a expectativa,
a ansiedade e a espera
a ilusão o sentimento
a vida a vontade a saudade.
(enquanto isso sou controle,
sou espera, finjo ser razão. Seguro em
meus olhos essas lágrimas que querem jorrar,
dizendo a mim mesma que não vale me desconsolar
por aquilo que não é nunca será nunca foi ou já passou)
Estações
Eu sou esse tipo de mulher no inverno:
Quieta, polida, amiga.
No verão,
Sou calor, sou paixão, explosão.
Fogo que arde e queima
Constroi.
Agora recolho-me,
apenas na aparência.
Pois dentro de mim
a chama arde em labaredas
que procuram esquecer do que fui, do que sou
para tornar-me o não sei.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Desesperança
Não sossego.
Não freio.
Me inquieto: não suporto mais.
Sonho, sem ilusões.
Inquieta morro, mas não em paz.
Canso. Caso. Passo.
Morri.
Da altura da queda de um avião.
Não sei o que aconteceu.
Morri e não desci.
Minha mãe, meu pai, meu filho.
Morri.
Não sei onde estou.
Perdida.
Solta nesta selva
minha alma vaga sem imagem
minha alma passeia sem solidão.
Sem Deus.
Sem inocência.
Sem solução.
Meu Deus,
por que me abandonaste?
Sou sofrimento.
Sem Luz.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
LUA CHEIA
Integração. Comunhão. Redenção.
Cósmico. Universo. Deus.
Verdade. Unidade. Integração.
Amor. Amor. Amor.
União.
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