domingo, 22 de abril de 2012


Como eu gosto muito de ler, gosto também de escrever.
Minhas reflexões, meus sentimentos, sempre encontraram caminho para existir através das letras. Talvez porque não houvesse quem me ouvisse. Talvez porque, ainda que me ouvissem, não havia quem me compreendesse. Minha voz é doce e enjoada. Acho que sou meio cansativa. Perco-me da linearidade e sou desinteressante. 
Sinto que o caminho da escrita é o meu principal caminho e conexão com a arte. Arte que expressa o que vai na alma. Arte que diferencia todo e qualquer ser humano da atividade animal. A arte é a expressão da criatividade humana, das funções cerebrais mais evoluídas que existem em todo o planeta, que nos diferenciam do que é grotesco e primitivo, unindo-nos em comunhão ao Infinito. A arte também denuncia o que vai de errado em nós e na sociedade em que vivemos. Sempre tem sido assim com toda e qualquer arte.
Escrever é um prazer. Principalmente quando há algum reconhecimento. Da minha boca jamais poderiam sair as palavras que escrevo no papel...ou no editor de textos...Como dizia o poeta, meu querido FP, na maior parte do tempo “não sei o caminho da minha vontade para a minha garganta”. É assim que sou. Antes de chegar a traduzir-se em voz, o que vai em mim espalha-se por todo o meu corpo e transforma-se em sensação indizível. Sinto, percebo, respiro, anseio, mas muitas vezes não consigo dizer. Às vezes (e isso é bom) só consigo rir, tímida, encabulada, feliz. Muitas vezes, porém, sou dúvida, tristeza, ansiedade, insegurança, remorso e temor. E sempre, sempre fui solidão.
E agora que escrever deixou de ser uma tarefa e encontrei pela mão da Mestre a liberdade de vestir-me com as letras, eu, toda sentimento, sinto-me ainda mais feliz em escrever. Longe da forma e do julgamento, nos quais não posso expressar minhas ideias, mas devo provar por “a” mais “b” que o que eu digo é certo porque outros já disseram antes, sinto-me tranquila e confortável para bobagear as minhas palavras por aí. Elas não ficam mais presas dentro de mim. Porém, só uns poucos ainda podem conhecê-las, pois a coragem de desnudar quem eu sou busca somente aqueles em que confio que podem amar, respeitar e admirar a nudez de minha alma e saber o que vai por trás das minhas vestes, sem julgar e sem ferir-me.

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