O viver para a mulher deve ser superlativo. Nas evidências do seu feminino repousam o beijo da deusa. Ela crê, ela vive, ela é fé. As buscas intensificam-se na medida em que amadurece. A loba uiva atendendo ao chamado da mãe-lua. É uma inquietação que brota dentro de si, um desejo de viver a plenitude de sua vida que nunca viveu. O tempo de dedicar-se aos outros já passou. O tempo de nutrir e de apaziguar a vida alheia cessou. Agora é a hora de cuidar. Os filhos que teria, tivesse. Agora é hora de preparar-se para ser a mãe da vida, mãe-lua, senhora das artes, rainha das águas, amante leal e fiel do reino sincero. A vida, a virtude, a fé e a paz são os seus únicos tesouros, os únicos espólios que pode carregar consigo. Os apegos, os sonhos, as ilusões de corresponder ao que lhe ensinaram como o ideal ficaram para trás. Despida de seus andrajos caminha nua pela floresta à luz da lua, sem saber para onde vai, mas certa de que está no Caminho. Perdoa. Doa. Existe. Crê. Recebe. Encontra-se com o seu Eu Primitivo, com a sua essência, de onde tira forças para continuar. É experiência xamânica. É experiência de vida, de espírito de virtude e de fé. No caminho solitário não há mais solidão. Banha-se nas águas tranquilas do lago. Abençoa-se da essência da água. Atravessa o fogo. Vivifica-se. Anima-se. Segue.
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